segunda-feira, junho 06, 2011

Paganismo

 Não sou crente, mas também não sou herege! Continuo a procurar respostas para as minhas dúdivas transcendentes. No entanto, poucos me esclarecem e, os que o fazem, não me convencem, não sei se por falta de argumentos por parte deles se por orgulho e teimosia por minha parte. Apenas sei que, de acordo com a sociedade em que vivo, ou acredito em Deus ou não posso acreditar em nada!
A mitologia grega sempre me fascinou, assim como crença em deuses divinamente humanos que, apesar de o serem, eram também perfeitamente fantásticos. E, por esse mesmo motivo, a religião que girava à sua volta era igualmente maravilhosa e sempre me fascinou. E, por vezes, pergunto-me: porque não posso eu ser pagão e acreditar nessas divindades como outrora acreditavam?

Muitos me respondem que outrora apenas o faziam porque não podiam explicar os fenómenos naturais que hoje explicamos sem grande dificuldade. No entanto, porque não posso atribuir a ocorrência desses mesmos fenómenos à vontade dos deuses que nos desejam punir ou recompensar? Porque não posso eu considerar que o movimento das placas tectónicas que originaram um sismo foi causado por um deus zangado? Porque não posso considerar como causa primeiro os desejos e estados de humor dos deuses.

Bem, primeiro por falar em deuseS e não em Deus, no singular. Apercebi-me que a sociedade que me rodeia não aceita outra crença senão a em Deus ou outra entidade singular e perfeita. Para além disso, a perfeição de Deus ou de outra entidade nunca daria origem a catástrofes como as que verificamos na Natureza.

Contudo, e para além disso, continuo a achar que o mundo seria muito mais maravilhoso se a crença nesses Deuses ainda fosse aceite. O fascínio e o fantástico do passado ainda estaria sobre nós, assim como a aura de luz que os acompanhava.

5 comentários:

  1. Olá Bernardo,

    Penso que não haverá problema por te tratar pelo teu nome próprio, uma vez que me torno um comentador dos teus postes, aos quais acho bastante pertinência, sendo óptimos para nos fazer pensar.

    Mas adiante, da mesma forma que no teu assunto anterior era complexo, este é igualmente árduo de dissecar, se é que é possível. Mas, cumprindo o que fiz anteriormente, de forma muito sucinta, vou tentar ajudar ao debate.

    Antes de mais, se não és crente não és herege, este depende directamente da primeira para existir. Logo é uma dupla negação o que provoca uma exclusão parcial da tua afirmação. O que deves afirmar é que não tens crença em determinada religião, seita, filosofia… contudo posto perante as suas questões ideológicas e morais, não te apresentas directamente como um descrente, pois parcialmente vês ali uma resposta. Mas, se ajudar, todos vemos, a espaços, contudo a religião e similares exige que a nossa crença vá além disso.
    O facto de afirmares que na sociedade onde vives ou acreditas em Deus ou em nada é bastante, digamos, simplista. Primeiro vives no que se foi apelidando de supermercado de fés portanto só por aí tens muito por onde escolher entre crenças e deuses, o que já te permite grande liberdade moral; por outro lado, vivemos num tempo em que o mundo material assumiu o seu esplendor, o que colocou as pessoas, em geral, a acreditar em outras formas de religiosidade (é velos nos centro comercial ao domingo em verdadeiras romarias dominicais, por exemplo). Portanto, e simplificando, a crença é bastante mais lata do que aquilo que resumes. Depois tens diversas questões assessorias, que devem ser motivo de tua reflexão, entre as quais, uma que tu tocas, que se prende com o desenvolvimento do sentido de fé e crença.

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  2. Ora, a ciência, não é mais que uma resposta possível aos acontecimentos que surge numa cadeia maior – a evolução humana. Deves ler Weber, Berger, entre outros, para perceberes o que é o desencantamento do mundo e, se possível, o reencaminhamento do mesmo (também o processo de racionalização….). Mas assim básico, o homem encontrou na ciência um ponto de fuga porque lhe dá uma resposta satisfatória aos seus problemas e, sobretudo, é sobre ele que se encontra a resposta. Mas a ciência não é estanque, o que hoje é verdade amanhã pode ser mentira, logo o cientificamente provado é uma anacrónica (já tens uma boa resposta). Por outro lado, é a crença (repara na palavra) que em parte é responsável pelo afastamento da fé do espaço social para o espaço privado, não a sua extinção.

    Mas assim, para te alegrar: existem pessoas (muitas, creio) que praticam a veneração aos deuses helénicos e a muitos outros, por isso deves ter toda o gosto em continuares na tua cruzada. Por outro lado, a pluralidade é uma mais-valia, portanto todas as portas de entrada devem ser abertas, mas sempre com a capacidade de dar uma resposta em conformidade. Acresce que, a dificuldade que encontras, é uma questão cultural (somos uma sociedade católica) e por isso haver algumas reticências dos que te rodeiam.
    Acresce que a tua dúvida é sobretudo em ordem ao sentido da vida e não tanto a questão religiosa pura e dura…. Mas já é outra história…

    Espero que crie muita confusão (sobretudo por aquilo que não fica dito)

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  3. Muito obrigado por estes comentários! =D Para além de me ilucidarem um pouco também me põem a reflectir, certamente.

    Espero que continues (se te puder tratar por 'tu') a partilhar esses esclarecimentos e interessantes pontos de vista =)

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  4. Já estudou sobre a wicca, reconstrucionismo helênico e outras correntes neo-pagãs? Você deve gostar.

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