
Foi então que decidi agarrá-la. Agarrá-la com toda a força que tinha. Não a queria, nem quero deixar partir. Tudo o que menos quero e deixá-la ser arrancada de mim por uma existência miserável. Não... Não a vou deixar escapar...
Todo este tempo, todo o tempo que deixei de estar aqui, encontrei-me lá fora, no mundo, a procurar o que outros procuram, a fazer o que outros fazem. Diverti-me, fiz coisas que nunca tinha feito na vida e que são banais para outros. Mudei, traí-me... Caí na tentação, por assim dizer. Deixei-me levar pela maré, quando prometi a mim mesmo que continuaria a remar sempre contra ela, a não ser que para uma praia segura me levasse.
Odiei-me por isso... Procurei por mim no sítio errado. Porém, tudo muda agora. Apercebi-me do quão baixo me afundava e como me perdia cada vez mais. Não vai voltar a acontecer. Não quero que volte. Não me desejo tanto mal.
Voltei para me encontrar porque dei por mim enterrado no lixo do mundo. Ainda remexo na lama, mas espero vir a deixá-la e a lavar as mãos de tudo o que aconteceu. E espero que o calor dos meus pensamentos a sequem de vez para não haver possibilidade de voltar a nela chafurdar.
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